O Estádio La Cartuja foi palco de uma final épica que ficará gravada na história do futebol espanhol. Num duelo de nervos à flor da pele, a Real Sociedad sagrou-se campeã da Taça do Rei, batendo o Atlético de Madrid numa decisão por penáltis (4-3) após um empate eletrizante de 2-2 no tempo regulamentar e prolongamento.
O herói improvável? O guarda-redes Unai Marrero, que travou as estrelas de Diego Simeone e garantiu o terceiro troféu da competição para a vitrine de San Sebastián.
Um Início de Recorde e Respostas Rápidas
A partida não deu tempo para os adeptos se sentarem. Com apenas 14 segundos no cronómetro, Ander Barrenetxea cabeceou para o fundo das redes após um cruzamento preciso de Gonçalo Guedes. Este golo tornou-se oficialmente o mais rápido de sempre em finais da Taça do Rei, superando uma marca que durava desde 1952.
O Atlético de Madrid, resiliente como dita o ADN de Simeone, reagiu. Aos 18 minutos, Antoine Griezmann serviu Ademola Lookman, que não desperdiçou e fez o 1-1. Lookman entrou para a história como o segundo nigeriano a marcar numa final da prova.
Reviravoltas e o Balde de Água Fria de Julián Álvarez
A Real Sociedad voltou a sorrir antes do intervalo. Após Juan Musso derrubar Guedes na área, o capitão Mikel Oyarzabal converteu a grande penalidade com a frieza habitual. Com este golo, Oyarzabal tornou-se o primeiro jogador do clube a marcar em duas finais distintas da Taça.
Na segunda parte, a pressão “colchonera” intensificou-se. Quando a taça parecia fugir, Julián Álvarez tirou um coelho da cartola aos 83 minutos, com um remate em arco magistral que gelou os adeptos da Real Sociedad e forçou o prolongamento.
Estatísticas de um Duelo de Titãs
O equilíbrio foi a nota dominante, como mostram os dados de Expected Goals (xG):
- Atlético de Madrid: 1,96 xG (19 remates)
- Real Sociedad: 1,62 xG (15 remates)
No prolongamento, a sorte e o ferro jogaram contra o Atlético: Julián Álvarez disparou um “míssil” de fora da área que explodiu na barra, enquanto Musso brilhava do outro lado com defesas impossíveis a remates de Soler e Oskarsson.
Marrero: A Muralha de San Sebastián
Na lotaria das grandes penalidades, brilhou a estrela de Unai Marrero. O guardião da Real Sociedad defendeu os remates de duas das maiores figuras do Atlético: Alexander Sorloth e Julián Álvarez.
Embora Oskarsson tenha falhado para a equipa basca, a eficácia de Susic, Munoz e Soler manteve a equipa na frente. Coube ao jovem Pablo Marín a responsabilidade máxima: com um remate certeiro ao ângulo, selou o triunfo e deu início à festa em San Sebastián.
O Legado da Final de 2026
A Real Sociedad completa assim o seu “hat-trick” de títulos na Taça do Rei (1986-87, 2019-20 e 2025-26), consolidando-se como uma das potências do futebol moderno em Espanha. Para o Atlético de Madrid, resta a amargura de uma recuperação heróica que morreu na marca dos onze metros.
“Foi uma noite de superação. Sabíamos que sofreríamos, mas o Marrero foi gigante e este grupo merece tudo,” celebraram os jogadores da Real Sociedad no relvado de Sevilha.